26 de novembro de 2008

Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Não me apague de sua memória!!!

Joel- Clem, que lugar é esse?
Clem- Não esquenta, é o Aluado blog.

No último domingo eu assisti esse filme no qual eu já tinha assistido no ano de 2006, o filme é um drama excepcionalmente bom com o Jim Carrey. O roteiro é brilhante e a direção interessante, mas alguns personagens são totalmente descartáveis. Um deles é Elijah Wood (o Frodo do Senhor dos Anéis), que está mais perdido que cachorro que caiu da mudança. Mas é um filme muito bom, na média, e ele chegou ao ponto de ser o melhor filme eu tinha assistido em 2006.( Mas ai veio uma jovem chamada Amélie e mudou tudo, mas isso eu vou falar em um outro texto) E para quem achou o nome esquisito, ele é um trecho de um poema de Alexander Pope:

“Feliz é o destino da inocente vestal,
esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.
Toda prece é ouvida e toda graça se alcança”.

"How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd."

Há outro verso poético no filme, desta vez de Nietzsche:

"Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos."

Ambas as citações são ditas por uma das personagens no filme. Mas, imagine a sua reação ao ler uma mensagem dizendo que o amor da sua vida passou por uma operação que apagou todas as memórias referentes a você da mente dele(a)? Em nosso mundo real isso seria inimaginável. Mas quando o assunto é Charlie Kauffman, nunca podemos esperar o trivial. Colocando John Cusack para trabalhar no andar sete e meio de um edifício em Quero Ser John Malkovich, ou emprestando sua identidade e a de um irmão gêmeo a Nicolas Cage em Adaptação, Kauffman ignora o sentido da palavra inimaginável.

No filme as bizarrices do roteirista são mais doces do que nunca. Dessa vez é Jim Carrey quem encarna o protagonista introspectivo e desiludido, marca registrada de Charlie. Depois de descobrir que sua ex-namorada Clementine (Kate Winslet) havia realizado um tratamento para apagar as lembranças de seu conturbado relacionamento, Joel Barish (Carrey) decide se submeter ao mesmo processo. Mas enquanto suas memórias vão sendo apagadas, Joel percebe que pior do que passar pela dor da separação seria esquecer todas as boas lembranças. E a partir daí ele vai travar uma batalha épica dentro de sua mente para não deixar que Clementine seja irremediavelmente apagada.

Na mente imprevisível de Charlie Kauffman os personagens ganham traços de sua própria personalidade ou características que lhe atraem. Talvez venha daí a impressão freqüente de que, por mais improváveis que sejam as bases do mundo que ele cria, o roteirista sabe bem do que está falando. Aquele universo estranho, rico de subjetividade e metalinguagem, existe dentro dele. E Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não foge ao estilo. A começar pelo título, tirado do poema Eloisa to Abelard, de Alexander Pope. Kauffman já havia feito referência ao poema em um show de marionetes de Quero Ser John Malkovich.

Mas no todo o filme é uma comédia-romântica triste, lírica e delicada que desperta alguns questionamentos. Se você e o seu amor tivessem uma nova chance, se arriscariam de novo mesmo sabendo que o final poderia não ser feliz? Vale a pena apagar uma parte da sua vida para evitar o sofrimento? O amor sobrevive mesmo a tudo?
O filme tem início no dia dos namorados de 2004. Desiludido e achando sua vida desinteressante, Joel Barish, apesar de não ser uma pessoa impulsiva, mata o trabalho e vai para Montauk, sem saber bem o porque, já que a praia está gelada em fevereiro. Lá conhece Clementine, e se questiona "por que eu me apaixono por qualquer mulher que me dê um mínimo de atenção?" O interesse que surge entre os dois, criaturas absolutamente diferentes, é imediato.

E então vamos testemunhando a intimidade estranha de duas pessoas que acabaram de se conhecer, para, instantes depois, observarmos Joey dirigindo aos prantos, numa atitude clara de quem está sofrendo pelo fim de um relacionamento. Muito da história se passa na mente de Joel, enquanto suas memórias vão sendo apagadas. E essa invencionice de Kauffman foi o pretexto ideal para que o diretor Michael Gondry e sua equipe criassem o espetáculo visual que se vê na tela. Brilho Eterno é um ótimo exemplo de como a técnica pode agir a favor da narrativa no cinema. Jump-cuts (ou cortes que omitem ação), passagens de uma seqüência para outra sem cortes, imagens escuras que dão destaque aos pontos de luz colorida e uma capacidade imensa de aproveitar o improviso (como a cena do circo, que inicialmente não estava prevista no roteiro) constroem o universo espetacular e imprevisível do filme. Aqui, tudo é verossímil, porque grande parte da ação transcorre nos corredores da mente de Joel, como num sonho.

A peculiaridade de Kauffman, que se torna nítida nesse filme, é ser capaz de fazer o absurdo parecer natural de uma forma única e incrivelmente doce. Mas o mérito pela beleza e poesia de Brilho Eterno não pode ser dado somente ao roteiro. Mas também a direção de sensível de Gondry, do timing perfeito de Jim Carrey, contido quando deve ser e expressivo como só ele sabe ser quando é necessário, da vivacidade de Kate Winslet e da seriedade do talentoso elenco coadjuvante.(Menos o Elijah Wood que como eu disse ele parece mais um cachorro perdido nesse filme.) Mas, a harmonia desse filme se deve muito à confiança que toda a equipe parece ter depositado na obra de Kauffman, o homem com uma mente cheia de idéias extraordinárias que, mais do que nunca, provou com essa história como algo tão delicado é capaz de te destroçar.

Agora, tirando a minha visão de cinefilo, se eu tivesse a opção de poder esquecer fatos do passado, ainda assim não o faria, por mais doloridos que estivessem cravados na minha memória. De nada me arrependo nessa vida. Prefiro me arrepender do que não fiz(Aquela que não deve ser nomeada. ^^') ao invés do que já foi feito. Afinal, é com as experiências (boas e ruins) que aprendemos e crescemos. E apagá-las da memória seria correr o risco de repetir erros. Mas conserteza, Brilho eterno de uma mente sem lembranças é um filme que eu jamais gostaria de esquecer.

5 comentários:

  1. Hummmm ... acho q nunca vi esse filme. Sou fã de filme nacional. Adorei a legenda da foto kkkkkkkkkkkkkkk. Beijo !!

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  2. Oi ... eu aqui de novo rsrs. Vc viu o video q o Francisco postou ? Não consegui comentar. Q saco !! Mais tarde vou tentar de novo. Beijo.

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  3. Olá!!
    Adorei sua visita no blog!
    Continue nos visitando!
    Seu blog é show!!!
    Amei!!
    Mesmo!
    Ah, e esse filme aqui é um dos mais lindos que já vi!!
    (mas Amélie realmente é páreo duro p/ ele....acho que daria empate...rsrsrs)

    Beijocas!!

    Vivi

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  4. Anderson, você está de parabéns. O texto está muito bem escrito. Você conseguiu expressar bem sua opinião sem ser chato em momento algum. Interessante o modo como você abordou, começando por um trecho do filme. Ótimo mesmo. Quero muito ler sua opinião sobre Amélie, ta? Um grande abraço e continue assim. Seu blog já está nos meus favoritos. Visitarei sempre que possível. Um abraço!

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  5. MELHOR FILME DE TODOS OS TEMPOS *-*

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